• Neuza Itioka

Quem são os inimigos internos de Deus?

Atualizado: Set 24

São aqueles que creem que são os mais leais e fiéis a Deus, e que creem que estão fazendo uma grande contribuição para o reino, e são bastante convencidos da sua importância, mas caem na vaidade, arrogância e orgulho. Estas pessoas somos nós, a liderança. Somos aqueles que dependemos de nós mesmos para fazer a obra de Deus, e damos o nome de egolatria (culto a si mesmo). Pois, estamos convencidos de que somos capazes de fazer as coisas. Porém, quais foram as declarações de Jesus? – Sem Mim, nada podeis fazer (...) O Filho nada fazia por si. Aquele que faz a obra de Deus, por si mesmo, é um feiticeiro (a). Olha o que o profeta Jeremias declara: Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor! Porque será como a tamargueira no deserto, e não verá quando vem o bem; antes morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. (Jr 17.5-6)



Nós nos tornamos inimigos de Deus e da nação por atuarmos através da nossa própria justiça. Pois, achamos que somos os maravilhosos, os solucionadores de problemas e somos os grandes, bonzinhos e justos. A nossa vaidade ministerial promove a idolatria, assim como a prostituição que promove a pobreza e a miséria financeira. O nosso estilo de liderança ditatorial, exclusivista, paternalista, autoritária e perfeccionista, nunca refletirá a Cristo, que ensina sobre ser manso e humilde de coração. Uma liderança orgulhosa, soberba, altiva e vaidosa cria uma igreja também problemática. Quando atuamos espiritualmente para nós mesmos, inconscientemente damos legalidade a Leviatã.


Como leviatã influência uma igreja


Leviatã é o principado que atua através do orgulho e soberba. Ele causa problemas dentro de uma igreja, onde os membros não estão curados. A verdade é que; devemos nos entregar de fato a Cristo, e viver a nova vida, cultivar a presença do Espírito Santo, caso contrário, outros espíritos ocuparão o espaço vazio. E, este espaço sem a ação do Espírito Santo, será problemático. Quais são os pontos de uma comunidade cristã problemática? Uma comunidade que promove o orgulho, a vaidade, o ufanismo e a soberba. Uma comunidade evangélica que vive satisfeita com seus eventos, talentos e ainda que prega que está na presença de Deus, e por essa conduta nem percebe que é uma igreja cega, sem visão espiritual, perdida, confusa e sem direção. Uma comunidade vaidosa aponta uma igreja que apoia a corrupção, e além de tudo sustenta a falsidade, como também, dinheiro e favores “políticos” para si mesma.


Leviatã gera o abandono do primeiro amor a Deus, pois, passamos a nos amar primeiro; e colocamos o “império religioso” acima do Senhor. A igreja cega significa que a liderança é egocêntrica, que domina e não permite a ovelha participar de nada. Cria e levanta império próprio e não o Reino de Deus. Desta forma, abrimos a porta para Leviatã; porque ele é o chefe dos orgulhosos, dos altivos, dos arrogantes e vaidosos.


Leviatã desenvolve a idolatria institucional


No livro que escrevi a respeito da conquista de cidades, “Deus quer a sua cidade”, falo sobre este assunto de idolatria institucional. E, como é válido, também trago este tema aqui, porque, Leviatã é aquele que articula o culto voltado para o homem, e não para Deus. Quando uma nação se faz deus, ela torna-se um deus, não apenas como uma convicção interna de indivíduos, mas como a espiritualidade real da nação em si. Assim, a nossa luta, deve dirigir-se contra os príncipes demoníacos de alta hierarquia sobre as regiões, nações e cidades. É Leviatã que preside a corrupção e as fraudes; que perpetua o estilo de vida e comportamentos característicos a determinadas corporações ou instituições. Leviatã manipula as repartições públicas; e lidera certas situações, como a orfandade, o aborto; a violência, a miséria e a pobreza.


Haroldo Caballeros, da Guatemala, disse, depois de sua pesquisa como “mapeador espiritual” e também como conquistador de cidades, que a idolatria a Rainha dos céus tem produzido problemas sociais. A Diana dos dias atuais, sendo salvadora, senhora, rainha do cosmos e deusa dos céus, continua presidindo tragédias e problemas, dominando os seres humanos incautos a seu bel-prazer para destruir, matar e roubar. Ela continua a perpetuar a sensualidade, as perversões, e a causar mortes e suicídios. Se no Novo Testamento o apóstolo Paulo apresenta o texto de Efésios com certa clareza, no Antigo Testamento, as ideias sobre principados e potestades não são tão claramente apresentadas.


Mas há vários textos que podem nos ajudar com respeito a algum aspecto dessas hierarquias angelicais. Um deles é Dt 4.19, que diz:


“Guarda-te não levantes os olhos para os céus e, vendo o sol, a lua e as estrelas, a saber, todo o exército dos céus, sejas seduzido a inclinar-te perante eles e dês culto àqueles, coisas que o SENHOR, teu Deus, repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus.”

Esse texto nos diz que Deus repartiu o exército dos céus entre os povos. E esse exército nunca deveria ser cultuado pelo seu povo, pois o Senhor havia tomado o seu povo para si, tendo-o tirado da fornalha de ferro do Egito para que viesse a ser a sua herança (Dt 4.20). Deus faz uma distinção clara entre o povo da aliança em relação aos outros povos, a quem o exército dos céus, ou seja, as potestades dos céus foram distribuídas. O que entendemos desse texto é que os anjos de Deus foram distribuídos pelas nações. Deus encarregou certos anjos de cuidar de cada nação. Mas a idolatria, o pecado, fez com que os homens fossem procurar por si mesmos, desvendar os mistérios que não deveriam ser desvendados. Por isso construíram a Torre de Babel, cujo significado é “porta de Deus”, mais tarde, tornando-se uma confusão. Alguns afirmam que a construção pode ter tido a forma de zigurates - losangos ou paralelepípedos gigantescos, superpostos. Quando os homens da antiguidade tentaram alcançar os céus, buscando desvendar os seus mistérios, na realidade eles estavam querendo controlar e dominar a sua vida, a sua sorte e o seu futuro, através do contato com anjos caídos. Assim, o contato com os anjos caídos, levou aquele povo a achar que as estrelas tinham o seu destino, o seu futuro, determinado e escrito.

Deus sabia que os anjos caídos assumiriam o lugar das estrelas, dos astros, e encantariam o povo, atraindo os homens para dar culto e adoração a eles. Por esse motivo, Deus disse: “guarda- -te não... dês culto àqueles”. Outro texto do Antigo Testamento que convém considerarmos é Dt 32.8 – “Quando o Altíssimo repartia as nações, quando espalhava os filhos de Adão ele fixou fronteiras para os povos, conforme o número dos filhos de Deus”. (Dt 32.8 — BJ). Essa versão em português segue o texto grego da Septuaginta. No rodapé, a BJ anota: “Os ‘filhos de Deus’ são os anjos (Jó 1.6), membros da corte celeste; aqui são os anjos que guardam as nações”.


F. F. Bruce comentou esse texto: “A administração das diversas nações foi distribuída entre o número correspondente de poderes angelicais. Em inúmeros lugares, alguns desses governadores angelicais são descritos como potestades e principados inimigos - governadores do reino das trevas”. O mesmo autor diz ainda que o que estava implícito em Deuteronômio torna-se explícito em Daniel 10, onde aparecem três príncipes: dois deles inimigos – o da Pérsia e o da Grécia – e um amigo, Miguel, um dos anjos chefes.


O profeta Daniel provocou uma luta espiritual entre um emissário de Deus e o príncipe da Pérsia, perseverando 21 dias em jejum e oração, consultando a Deus sobre o futuro do seu povo. O anjo trouxe-lhe a revelação de ter lutado e vencido o príncipe da Pérsia, com a ajuda do Arcanjo Miguel. E diz que outras lutas estavam sendo previstas: uma delas seria com o príncipe da Grécia. Este texto nos fala de um forte principado (ou príncipe demoníaco) como encarregado de uma região ou de um país.


Quando examinarmos a linguagem de certos autores, poderemos perceber o que eles queriam dizer, se olharmos através da ótica deles. O que na realidade estava acontecendo, quando Josué repreendeu os israelitas que estavam servindo os deuses do outro lado do rio Eufrates e no Egito (Js 24.14)? O fato de os deuses estarem do outro lado do rio Eufrates não seria algo importante? Esta não é também uma referência a territórios exclusivos de determinados deuses ou anjos? Não estaria Josué tentando dizer que os deuses do outro lado do rio Eufrates eram anjos caídos, encarregados daquela região, e que os israelitas não tinham nada a ver com eles?


Por que Deus comandou que os israelitas limpassem a terra de Canaã, conforme fossem-na conquistando? Não estaria Deus dizendo aos israelitas que não bastava conquistar política, geográfica e socialmente as cidades, mas, sobretudo, que os anjos caídos, encarregados da região deveriam ser desalojados, para que efetivamente o território se tornasse propriedade dos israelitas? Sim, os territórios deveriam ser conquistados também espiritualmente. E quando os israelitas, esquecendo-se das recomendações de Deus, não limpavam a terra, como Deus lhes ordenara, chegavam até a se esquecer do seu Deus, que os havia tirado da terra do Egito, e passavam a servir outros deuses, como Baal e Aserá (Jz 3.7).


Podemos nomear entidades como Sucote-Benote, da Babilônia; Nergal, de Cuta; Asima, de Hamate; Nibaz e Tartaque, cultuados pelos aveus; Adramaleque e Anameleque eram deuses de Sefarvaim (2Rs 17.30-33). Isso significa que cada um desses nomes correspondia a um príncipe demoníaco regional daqueles povos. E as Escrituras falam de diversos outros deuses, como Astarote (Jz 2.13), Dagom (1Sm 5.2), Moloque (1Rs 11.7), Baal (Jr 23.13) e outros conhecidos deuses dos povos da antiguidade bíblica. E sabemos que todos eles não eram apenas seres mitológicos, mas espíritos que governavam aqueles povos. Daí o veemente apelo de Deus ao seu povo, ordenando que se afastassem do culto a essas entidades. E a idolatria era duramente combatida pelos profetas. John Dawson, autor do livro “Reconquistando as Nossas Cidades para Deus”, diz: “Embora Deus seja o criador da personalidade humana, e, portanto, das culturas, Satanás, encarregou uma hierarquia de principados, governadores das trevas e poderes, a territórios específicos na Terra. Satanás, assim, deixou uma marca na cultura de cada povo, com algumas das suas características”. Ele prossegue: “Os povos da Antiguidade eram profundamente conscientes dos príncipes territoriais. Eles recebiam identidade dos espíritos e viviam sob constante temor e medo dos príncipes. Creio que a maioria desses deuses da antiguidade ainda está sendo cultuada com outra roupagem na sociedade secular de hoje. Por exemplo, ensinamos as nossas crianças sobre Mitologia grega nas escolas. Mas, na realidade, nós as estamos instruindo com a doutrina da antiga religião, que era assunto de vida e morte para os antigos gregos... Os deuses do Olimpo não eram apenas figuras literárias, mas, poderosos demônios, que dominavam as mentes das pessoas com um engano total.


Expressão dos poderes


O Dr. Walter Wink diz também que os príncipes, governadores ou autoridades se expressam através de legitimações dos atos ou documentos que lhes conferem autoridade; do sistema de hierarquias; das justificativas ideológicas; das incumbências punitivas, que lhes tenham sido dadas; se expressam através de todas essas coisas que os transcendem, tanto no tempo, nas instituições e no cosmos, não se trata apenas do mero agente humano. Porque a instituição garante virtualmente a substituição da pessoa por outra, na mesma situação, que, apesar de suas preferências pessoais, replicará as decisões feitas pela linha de seus predecessores, porque isso é exatamente o que a instituição requer para a sua sobrevivência. É exatamente essa qualidade sobre-humana que vale para a dimensão celestial, uma dimensão que ultrapassa uma vida, a qualidade quase eterna dos poderes.


Este artigo é um trecho do livro - Leviatã - a Desconstrução do Orgulho e Egolatria



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