O que é a Alma?

A alma pode ser um elemento manipulável?



Normalmente, descrevemos os fatores que envolvem nossa alma como emocionais, mas nossa alma possui em si muito mais do que emoções. Embora o emocional reja cerca de 50 a 60% de nossas decisões, dependendo de nosso temperamento ou perfil de personalidade.


A alma também possui em sua composição: a mente, nossa memória, com tudo o que observamos e registramos através da absorção; e a razão, que nos leva a juntarmos dados e chegarmos a conclusões, isto é, racionalizar.


Nossa alma esta construída num ambiente onde as emoções têm grande influência e fatos vívidos e absorvidos em nossa memória, mesmo que de forma inconsciente, podem desencadear sofrimentos extremamente profundos. Para livrar-se da dor, esses registros podem sofrer um arquivamento no subconsciente, como o caso de uma criança que sofreu muitos maus tratos na primeira infância. Ou ainda, registrar no inconsciente fatos dolorosos que ocorreram, como, por exemplo, sofrimentos do período intrauterino, quando do momento da concepção até o nascimento sofrera determinada rejeição.


Nossa alma somos nós, não em nosso ser espiritual, mas no quesito humanidade.


A alma também grava nossas vontades, gostos e fé, além de nossos valores pessoais, consciência, o que realmente é importante para nós, assim como o que perdeu seu valor. Ela pode, de forma constante, mas gradativa, ter a consciência do certo e errado desativada, minimizada, ou ao contrário, fortalecida, pois as influências externas, no contexto familiar e sociocultural, possuem um grande poder sobre ela.


Somos regidos de forma tangível pelo nosso olhar e motivados a buscar prazeres compensatórios que justifiquem nossas decisões ou nos escondam de nós mesmos. Nem sempre gostamos do que vemos em nós e, por vezes, em seu estado de autoproteção e corrupção do pecado, a alma nos leva a comportamentos degradantes ou obscuros.


É... Nossa alma somos nós!


Muitas de nossas escolhas são baseadas em ângulos da nossa alma. E, segundo a Bíblia, quando deixarmos este mundo e nosso corpo físico voltar ao pó e nosso espírito voltar a Deus, nossa alma será julgada pelo que fez através do corpo.


Essa alma pode sofrer interferências e descompensações, ativando de forma até inconsciente o sistema de defesa emocional, baseado na memória emocional, que é “ativada por emoções”; isso tem sido um fator muito importante, utilizado nas armadilhas malignas, preparadas pelas entidades espirituais no mundo espiritual. A alma é o verdadeiro interesse dessas entidades espirituais. Nossos corpos são veículos utilizados para que eles dominem parte de nós.


Muitas vezes, as enfermidades que aparecem não são apenas a degeneração de células, de ossos ou músculos, mas a somatização do que afetou a nossa alma, feridas que podem até mesmo ter atingido nosso corpo, como molestação sexual, violências físicas ou coisas do gênero. Dores físicas podem até ser curadas com o passar do tempo, mas as da alma, se não tratadas de forma específica, não; principalmente na área de nossa emoção.


Caso:


Uma jovem senhora, pastora, foi cuidada por nós. Vamos chamá-la de Valéria (trocamos o nome para resguardar a pessoa). Alguns dos motivos que a levaram até nós eram uma revolta por ter sido ungida pastora e dores profundas pelo aparente desprezo do marido, que gastava muitas horas na TV ou na Internet. Sua revolta com a missão pastoral era visível.


Ao ouvirmos sua história, pudemos entender alguns fatos muito significativos.


Na infância, ela viu seu pai tratar a avó, tios, primos, sobrinhos e demais familiares dele, com muito mais honra do que a sua própria família, isto é, Valéria, sua mãe e irmãos.


Valéria sentia-se profundamente irritada por isso, pois ele chegara a desprezar aos próprios filhos, para dar plena assessoria aos familiares relacionados à avó. Ela cresceu com um sentimento de inferioridade e julgava que as outras pessoas sempre recebiam mais atenção do que ela.


Por um momento, durante o atendimento, pedimos que o Espírito Santo pudesse mostrar para Valéria o que se passava no coração de seu pai e por que ele reagia assim. Foi então que, em seu interior, o próprio Espírito Santo abriu-lhe os olhos do entendimento e ela compreendeu que seu pai também se sentia rejeitado pela própria mãe e o que ele queria era ser amado, por isso se desdobrava para fazer tudo o que seus familiares, isto é, sua mãe e parentes, queriam.


O relacionamento conjugal de Valéria era muito desgastante, pois, mesmo já adulta, ela era movida por seu emocional, que gritava mais alto quando via seu marido com o olhar no celular ou na TV. Ela se sentia como quando era criança, quando o pai dava preferência aos outros e não a ela. Sem contar que quando seu marido cuidava das “ovelhas”, pois também era pastor, as emoções explodiam e a menina que estava dentro dela gritava, procurando defender-se para não ser deixada de lado, por causa dos outros.


A psicologia diz que todos temos uma criança que grita dentro de nós; e é verdade. Uma criança que, por causa de situações de dor, ficou presa no passado, em prisões emocionais. Contudo, o que muitas vezes não identificamos é que essa criança precisa crescer, sair das prisões e viver de acordo com sua idade biológica, e não a idade em que o emocional travou o crescimento.


Depois de liberar perdão e sair de algumas prisões de sua alma, ela compreendeu porque não conseguia se relacionar com o seu “chamado pastoral” e o motivo de tanta revolta contra o marido.


Em sua alma, ela identificava as atitudes do marido nos momentos de relaxamento e também quando como pastor dava mais atenção as ovelhas, afinal seu chamado exigia tal atenção, com o momento em que seu pai olhava mais para as outras pessoas, demonstrando valorizar mais aos familiares.


Quando Jesus, através do Espírito Santo, entrou e limpou suas feridas emocionais, ela pode crescer em seu entendimento e amadurecer emocionalmente. A “criança birrenta” dentro dela passou a assumir a idade real, e ela mesma aceitou o chamado pastoral, passando a enxergar o próximo não como ladrão de amor, mas como ovelhas que precisam de pastor.


Ela saiu das dores da alma, refletidas num emocional trabalhado pela dor.


Não quero parecer redundante quando falo sobre essas questões, já que este material não tem por objetivo ser algo apenas psicológico, mas nosso ser completo – corpo, alma e espirito – precisa ser guiado para o lado certo da vida.


Desde que houve a queda de Adão e Eva, a criação que era perfeita recebeu uma dose do que chamamos de “Fruto da carne”; isto é, nossas almas foram afetadas por sementes de corrupção (entende-se corrupção, segundo o dicionário, como apodrecimento). Essas sementes são ativadas nos seres humanos a fim de provocar aberturas para que o pecado original de Adão seja automaticamente repetido e fortalecido em cada geração de seres humanos desde então.


O desejo da carne, dos olhos e a soberba da vida são provocados de geração em geração através dos frutos carnais da alma vendida ao pecado.


Em Gálatas 5:19-21, Paulo diz: Os frutos da carne são:


  • Prostituição (em outras versões: Imoralidade sexual)

  • Impureza

  • Lascívia/ libertinagem

  • Idolatria

  • Feitiçaria

  • Inimizades / ódio

  • Discórdia / contendas

  • Ciúmes

  • Iras

  • Partidos / facções

  • Dissenções

  • Egoísmo

  • Inveja

  • Bebedices / embriagues

  • Orgias

  • e coisas semelhantes a estas.

Nossa alma recebeu essas sementes no emocional, e esse lado das emoções pode se tornar uma verdadeira floresta desse tipo de arvore em nós. Cada uma dessas sementes se torna um portal de acesso de entidades em nossa alma, comprometendo nosso corpo, a própria alma e o espírito.


O pecado, portanto, é a manifestação de uma alma corrompida, cujas sementes de fruto da carne foram ativadas, seja através de vivências reais ou emocionais, geradas quando ainda estávamos no ventre de nossas mães, atingindo até os dias atuais.


Há todo um sistema de autodefesa, pois nossas emoções podem ter construído muros emocionais ao nosso redor para nos proteger da dor e criar sistemas de fuga da realidade, para nos aliviar da dor de uma possível rejeição ou de outros sentimentos de dor. Esse sistema de fuga torna-se um fator desencadeante de abertura de portais espirituais malignos na alma humana, ativando possíveis sistemas de gatilhos que nos levam automaticamente a busca de alívio por meio de acesso das áreas de recompensa do cérebro.


Esses conflitos e ansiedades impulsionam o indivíduo a procurar pornografia, adultérios, explosões de ira, ciúmes, invejas etc. Como numa emboscada, as entidades espirituais malignas usam essas práticas das sementes do fruto da carne ativadas para exercer domínio sobre esse indivíduo, garantindo direito legal de assolação. E além de todo o mal que provocam, essas entidades passam a alimentar-se das energias espirituais e emocionais produzidas por essas atitudes apodrecidas, degeneradas, corrompidas.


As sementes da inveja, por exemplo, podem ser ativadas na infância, quando um filho recebe mais atenção do que o outro. Seja por qual motivo for, justo ou não, essa criança, de forma inconsciente, acaba levantando um “sistema de proteção” contra a rejeição. Essa semente tendo sido ativada, mesmo quando adulto, sempre que esse indivíduo se deparar com alguém que recebe um tanto “a mais” do que ele nas manifestações de amor, aceitação, ou em alguma outra vantagem ou recebendo mais reconhecimento do que ele, trará à tona o sentimento de inveja e, ao pecar, progressivamente abrirá portas para que o espírito de inveja o acompanhe. Assim, esse portal espiritual é ativado na vida dele. Todas as vezes que tiver contato com algo que ele deseje, o portador do objeto de seu desejo passa a sofrer destruição, pois o fundamento da inveja é: “Já que eu não posso ter isto, ele também não o terá!”.


As emoções e sensações que são provocadas em um ambiente de busca de prazer sexual imoral podem envolver o emocional e o espiritual, mesmo que seja aparentemente apenas uma relação sexual (contato físico), mas no contato corpo a corpo há liberação de sensações e segundo a palavra de Deus: ”Aquele que se une com a meretriz (prostituta) se faz um corpo com ela, pois está escrito: serão os dois uma só carne.” (1 Co 6:16).


Da mesma maneira, através da pornografia essa carga emocional, junto com o prazer corrompido, pode avançar para uma dependência (como a dependência química). Essa semente de fruto da carne pode ter sido ativada num primeiro contato com a pornografia, através de molestação sexual real ou apenas por assistir um ato sexual pervertido, em que o indivíduo recebeu, através do contato visual ou sensorial, a invasão de entidades e de seus venenos que corrompem. Somos suscetíveis tanto a imagens, como a sons, cores, sabores...


Quando estamos em um determinado ambiente, seja qual for, onde há um forte apelo emocional, nossas emoções são tocadas e automaticamente gravamos esse momento. Posteriormente, todas as vezes que temos contato com algum dos elementos presentes “naquele momento”, como a música que estava tocando ou o alimento degustado, recordamos imediatamente e somos levados a ter as mesmas reações e desejos como aqueles que tivemos no momento vivido anteriormente; seja para o bem ou para o mal.


Satanás e seus demônios, investigando a alma humana, procuram gerar o ódio, com a intenção de que esse ódio se torne uma semente de maior destruição, e assim ative todas as outras. Por causa do ódio, o ser humano é levado à vingança, à traição, que provoca a ativação das demais sementes de “frutos da carne”, até então quase que inativas.


Para combatermos a ativação e o gerar dessas sementes, no momento em que aceitamos a Cristo como Senhor e Salvador, Deus nos dá de Seu próprio Espírito, que produz as sementes Dele em nós – o fruto do Espírito passa a ser ativado.


Nossa parte está em escolher, voluntariamente, desativar as sementes malignas que corrompem a nossa alma, colocando-as na cruz, matando cada uma delas e potencializando a semente do Espírito Santo, que por sua vez também tem muito a ver com o nosso lado emocional.


O Fruto do Espírito é:


  • Amor

  • Alegria / Gozo

  • Paz

  • Longanimidade

  • Paciência

  • Bondade

  • Fidelidade

  • Mansidão

  • Domínio próprio.

Estando conscientes do valor das emoções em nossa alma, passaremos a entender alguns dos esquemas que o inimigo tem utilizado para ativar uma das mais terríveis abordagens de destruição.


Esse artigo é um capítulo do livro: Efeito Colateral.





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