• Neuza Itioka

A Conquistada Cidade

Atualizado: Set 24

“Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na Terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na Terra terá sido desligado nos céus. “ (Mt 18.18)



Quem quer levar a sério a conquista de uma cidade envolve se numa luta contra principados, potestades e governadores espirituais que têm jurisdição mundial, nacional e regional. Diz o apóstolo Paulo que a nossa luta é contra demônios e anjos caídos; são entidades pertencentes à alta hierarquia das trevas. Estes são os que estão escravizando milhares de homens e mulheres, para que não tenham interesse de ouvir o Evangelho. São príncipes demoníacos que controlam regiões, cidades e localidades, dominando milhares de vidas, cegando os olhos espirituais e anestesiando, tirando toda percepção espiritual. Existe uma hierarquia de autoridade e poder entre os anjos caídos que influenciam o comportamento e as atitudes das pessoas.


Eu tive uma percepção e consciência de que a intercessão perseverante e fervorosa, de cristãos sinceros, pode mudar todo o panorama de uma cidade e sua atmosfera espiritual, quando o Dr. Billy Graham se dispôs a vir para o Brasil, realizar uma de suas grandes campanhas de evangelismo, que na época, mobilizaria todo o corpo de Cristo.


A campanha aconteceria no Rio de Janeiro, no estádio do Maracanã. Mas, como sempre fazia, esse homem de Deus, pediu que a sua equipe preparasse cuidadosamente a campanha de evangelização, fazendo com que a cidade do Rio de Janeiro se dividisse em grupos de intercessão pelo evento. Literalmente o Grande Rio foi dividido em pequenos grupos, misturando irmãos de todas as denominações: batistas, pentecostais, presbiterianos, metodistas e outros. E o povo de Deus começou a orar e a interceder intensamente em prol daquela campanha. Algo, então, começou a acontecer nas regiões celestiais da cidade.


Foi no início da década de 70, no Rio de Janeiro, que florescia a prática da macumba, nas versões: Umbanda, Candomblé e Quimbanda. Milhares de pessoas eram devotas de entidades, e as esquinas e encruzilhadas estavam sempre cheias de despachos. Mas, depois que os grupos de intercessão pela campanha evangelística de Billy Graham começaram a funcionar, algo passou a acontecer nos centros espíritas e terreiros do Rio de Janeiro e de Niterói. Por notícias de irmãos, ficamos sabendo que as entidades espirituais não mais “baixavam” naqueles lugares, o que posteriormente nos foi confirmado. Ninguém entendia o porquê delas terem sido insistentemente invocadas e não aparecerem. Simplesmente nada acontecia nos centros e terreiros. Foi então que alguém fez a pergunta:


- O que está acontecendo?

E a resposta, dada por um macumbeiro, foi:

- É que os crentes estão orando!


De acordo com uma testemunha, isso apareceu até num jornal de circulação nacional da época. Esse fato foi algo como abrir uma dimensão ainda não conhecida por mim. Pois vi que há uma dimensão da realidade espiritual em que a oração fervorosa dos filhos de Deus, especialmente em unidade de espírito fraterno, pode mudar situações e proibir a atuação de principados e potestades que oprimem uma cidade.


Se os grupos que oraram intensamente pela campanha de Billy Graham tivessem continuado a orar depois do evento, ou se tivesse havido uma providência no sentido de programar orações estratégicas dessa forma, creio que a mudança continuaria e que o Brasil seria hoje muito diferente.


Mas, não tínhamos a consciência de onde estávamos engajados, de que tipo de luta era essa.


O Espírito da Cidade


Quando eu estudava no Seminário Teológico Fuller, nos Estados Unidos, e o Dr. Paul Yonggi Cho veio para uma conferência, eu pude então ouvir sua palestra e até conversar um pouco com ele. Na ocasião o Dr. Cho compartilhou como Deus o tinha levado a lutar corpo a corpo com o espírito de uma cidade. Era um espírito que estava fazendo de Seul um lugar de pessoas miseráveis, tristes; uma cidade muito difícil de viver.


No início do seu ministério, quando ainda era seminarista, o Pr. Cho pregava numa tenda que conseguiu armar com uma lona americana, simples e feia. Ele pregava para apenas duas ou três pessoas, no máximo cinco. Foi quando recebeu uma intimação da polícia dizendo que deveria sair daquele lugar dentro de poucos dias. Ele, porém, pediu permissão para permanecer ali por mais alguns dias, porque estava orando pela cura de uma mulher desenganada. As autoridades, então, deram-lhe um prazo e avisaram que, se até tal dia, aquela mulher não fosse curada, ele não poderia permanecer no local nem um dia a mais. Os dias iam se sucedendo e a mulher não demonstrava nenhum sinal de melhora. O Pr. Cho continuou orando, pedindo que Deus interviesse. A mulher era muito pobre e vivia num casebre. Quando ele entrava no quarto dela para visitas pastorais e de intercessão, nem sempre se sentia bem. Aliás, muito pelo contrário, ele sentia arrepios e um estranho mal-estar. Sentia o corpo pesado e a sensação de que estava entrando num lugar escuro.


Mas, a princípio, não tinha discernido que ali havia mais do que uma enfermidade comum; tinha algo mais envolvido.


O dia do seu despejo estava chegando, e a mulher não melhorava. Numa certa noite, na véspera do último prazo que haviam lhe dado, o Pr. Cho estava orando em seu quarto quando, de repente, recebeu uma visita sobrenatural. Viu um demônio na forma de uma linda mulher, vestida de preto, aparecer à sua frente. Discernindo tratar-se de um demônio, o Pr. Cho engajou-se numa luta terrível com o mesmo, até que depois de muita luta, cansaço e desconforto, finalmente, o demônio se foi. Exausto, o Pr. Cho adormeceu ali mesmo, com o pensamento de que no dia seguinte teria de deixar aquele lugar.


Acordou somente na manhã seguinte com o Sol batendo em seu rosto e ouvindo um vozerio aproximando-se da casa. Era uma multidão que vinha falando alto, agitada. Abrindo a janela viu que as pessoas vinham gesticulando. Ele imaginou que certamente eles estavam chegando para despejá-lo, mas, ao mesmo tempo, notou que a multidão era liderada por uma mulher. Não entendendo o que estava acontecendo, recebeu aquela mulher em sua casa, e ela foi logo lhe dizendo:


- Pastor, muito obrigada por ter vindo ontem à noite, à minha casa, e por ter orado por mim. Veja como estou totalmente curada!


O Pr. Cho, a princípio, não entendeu o que ela dizia, porque ele não havia saído de casa, mas decerto tinha orado muito e lutado com um demônio muito forte em seu quarto.


De fato, ali à sua frente estava mesmo aquela mulher, por quem vinha orando já algum tempo, pedindo a Deus que a curasse; e Deus agiu naquela noite. Enquanto o Pr. Cho orava e lutava em seu quarto, ao mesmo tempo, algo muito sério também acontecia no quarto daquela mulher.


Tempos depois ele soube que aquela aparição, aquele espírito maligno com quem lutara, era a personificação do espírito da cidade, que dominava toda aquela região com incredulidade, com resistência ao Evangelho e impondo ao povo muita pobreza e desespero. Mas, depois daquela experiência, quando aquele espírito foi vencido, algo aconteceu no mundo espiritual. O povo começou a vir às suas pregações e a sua tenda logo ficou pequena para tanta gente. O resto da história do Pr. Cho todos nós a conhecemos. Hoje ele lidera e é pastor da maior igreja local da Coréia do Sul - e do mundo - com centenas de milhares de membros. A cidade de Seul é uma cidade totalmente transformada. A Coréia do Sul, que tinha apenas 5% de população cristã, atualmente, já conseguiu alcançar uma porcentagem de 35% com crescimento anual de 5,7%, de convertidos ao Cristianismo.


Este artigo é um trecho do livro - Deus quer sua cidade


er sua cidade



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